CPI das Escutas vai ouvir Protógenes na quarta

A CPI das Escutas Telefônicas Clandestinas vai retomar os trabalhos na próxima quarta-feira (6) com o depoimento do delegado da Polícia Federal, Protógenes Queiroz. Ele inicialmente comandou, e depois abandonou, a Operação Satiagraha - que prendeu, no início de julho, mais de 20 pessoas acusadas de crimes financeiros, como lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta, evasão de divisas e formação de quadrilha.

Entre os presos estava o banqueiro Daniel Dantas, que também vai depor na CPI no dia 13, para falar sobre a suposta prática de grampo clandestino. Os deputados da oposição querem aproveitar esses depoimentos para investigar suspeitas de tráfico de influência a favor de Dantas envolvendo o ex-deputado petista Luiz Eduardo Greenhalgh e o chefe de gabinete da Presidência da República, Gilberto Carvalho.

Apesar de ter o foco nas escutas telefônicas clandestinas, o relator da CPI, deputado Nelson Pellegrino (PT-BA), admitiu que os depoimentos poderão trazer fatos novos para inclusão no relatório final. "A comissão já tem um norte definido. Já estávamos, inclusive, na conclusão dos nossos trabalhos quando novos fatos aconteceram. Esses depoimentos podem ilustrar melhor o nosso relatório e trazer elementos novos que fundamentam a idéia que já está mais ou menos consolidada na CPI: há uma banalização da interceptação das comunicações telefônicas no Brasil; há operações triangulares para interceptar ligações de autoridades que têm foro privilegiado; e que também há uma relativa facilidade para fazer grampos ilegais em nosso País".

Operação Ferreiro
O juiz Fausto de Sanctis, que autorizou as prisões da Operação Satiagraha, vai depor na CPI no dia 12. O deputado Pellegrino também quer ilustrar seu relatório final com informações da Operação Ferreiro, deflagrada pela Polícia Federal em 16 de julho. Na ocasião, foi presa uma quadrilha acusada de quebrar o segredo de justiça em processos de interceptação telefônica, de acessar dados cadastrais de clientes das operadoras de telefonia e de executar grampo clandestino. "A Polícia Federal prendeu diversas pessoas que, por R$ 3 mil, davam informações sobre se o telefone estava grampeado. E por R$ 3 mil também podia-se grampear o telefone de alguém. É minha intenção, como relator, pedir informações sobre essa operação porque ela nos dará melhores informações de como essas quadrilhas atuam hoje. Inclusive há denúncias de que funcionários de operadoras também estavam envolvidos nessa quadrilha".

Operação Chacal
A CPI ainda espera os dados da Operação Chacal, que investigou a suposta espionagem da empresa Kroll contra a Telecom Itália. O delegado Élzio Silva, que comandou parte desta operação em 2004, deve ser ouvido pela comissão na próxima quinta-feira (7).

"Estamos na expectativa de receber essa documentação. Considero, como relator, que é essencial que tenhamos os dados da Operação Chacal antes do depoimento do delegado", disse Pellegrino.

Reportagem - José Carlos Oliveira/Rádio Câmara
Edição - Patricia Roedel
Fonte: Agência Câmara

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