Lei de acesso a informações públicas
O fabricante de helicópteros que mais vende para o governo brasileiro pagou a viagem e a hospedagem de servidores do Ministério da Justiça responsáveis por liberar dinheiro para os Estados comprarem as aeronaves. O secretário Nacional de Segurança Pública do ministério, Ricardo Balestreri, e mais três funcionários da pasta aceitaram um convite para visitar a Eurocopter, em Marignane, interior da França, empresa cuja subsidiária no Brasil é a Helibras. Neste ano, foram comprados quatro helicópteros da empresa pelos Estados do Tocantins, Pernambuco, Mato Grosso e Maranhão. A Eurocopter também vendeu para o Brasil 50 helicópteros dentro de um acordo chamado Brasil-França. A viagem de Balestreri e seus subordinados ocorreu em novembro passado. Eles estavam na Europa em visita oficial a França, Israel e Espanha, entre os dias 14 e 29 de novembro. CONDUTA Diz ainda o código: "É permitida a participação em seminários, congressos e eventos semelhantes, desde que tornada pública eventual remuneração, bem como o pagamento das despesas de viagem pelo promotor do evento, o qual não poderá ter interesse em decisão a ser tomada pela autoridade". No dia 22 de dezembro de 2009, quase um mês depois de ter chegado da viagem à Europa, Balestreri tentou devolver aos cofres públicos US$ 2.000, cerca de R$ 3.500, que sobraram da viagem. SOBRA DE DINHEIRO Em documento endereçado ao Comando da Aeronáutica, datado de maio de 2009, Balestreri assina pedido para que o helicóptero EC725, fabricado pela Eurocopter, seja adicionado ao acordo -pedido ainda não respondido. OUTRO LADO DE BRASÍLIA Segundo Balestreri, eles receberam "passagens aéreas em aviões de carreira", pernoitaram "duas noites na cidade". Tratou-se de "uma gentileza do governo francês". "Não há como fazer um barraco em um evento desses, uma coisa provinciana brasileira", diz. A Helibras confirmou que pagou as passagens e a hospedagem: 6.725,44 -cerca de R$ 15 mil. A Helibras afirma que os Estados coordenam as licitações para a compra das aeronaves. Informado sobre as declarações da Helibras, Balestreri disse que não tinha "conhecimento de que qualquer gasto envolvido pudesse estar sendo pago de outra forma que não fosse por meio do governo francês". Os servidores relatam a ida à Eurocopter na prestação de contas da viagem, sem menção a custos pagos pela fabricante. Fonte: Folha de S. Paulo |
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