Lei de acesso a informações públicas
Ministério passa a divulgar número de reclamações feitas contra fabricantes de aparelhos móveis. Cobertura da garantia, produtos com defeito e falta de peças de reposição são as campeãs de queixas A insatisfação dos consumidores com os problemas técnicos dos telefones celulares e com o desrespeito das fabricantes na hora de tomar as devidas providências foi mensurada. O Ministério da Justiça (MJ) criou um barômetro para monitorar mensalmente, a partir de setembro, as principais queixas dos donos de aparelhos. Das 18 mil reclamações registradas de janeiro a julho deste ano nos Procons estaduais e municipais, cerca de 84% são referentes à cobertura da garantia, aos produtos com defeito e à falta de peças de reposição. Segundo a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), existem mais de 187 milhões de linhas de telefonia móvel, quase uma para cada brasileiro. O diretor do Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC) — órgão do Ministério da Justiça que consolida os dados dos Procons —, Ricardo Morishita, identificou que as fabricantes Samsung (29,36%), LG (25,38%) e Nokia (21,19%) são as empresas com maior número de reclamações, seguidas da Sony Ericsson (15,51%) e da Motorola (8,56%). O indicador constatou que mais da metade dos registros (50,56%) foram motivados por problemas de prazo, abrangência e cumprimento de garantia. Em seguida, produtos entregues com danos ou defeitos corresponderam a 26,67% das queixas e as faltas de peças de reposição somaram 6,46%. Medida inovadora O diretor do DPDC considera que a medida é inovadora e dará mais transparência para os consumidores. “Não tenho dúvidas de que temos problemas com relação ao cumprimento de regras elementares de qualidade”, afirmou. O advogado Luis Carlos Moura, 30 anos, espera que a ação do Ministério da Justiça seja contínua e colabore para a melhoria da qualidade dos produtos. “O meu celular é uma ferramenta de trabalho. É essencial no meu dia a dia”, disse.
Indústria se defende A divulgação de dados pelo DPDC deixa clara a briga do governo com as empresas fabricantes de celular. O problema começou quando o órgão do ministério divulgou uma nota técnica que passou a tratar os celulares como produto essencial e indicou que os consumidores têm direito à troca imediata dos aparelhos em caso da constatação de defeitos. A Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), que representa, entre outros, os fabricantes de aparelhos celulares, sustenta que a nota não tem força legal e recorreu à Justiça contra uma notificação do Procon de São Paulo, que deu prazo para que a indústria apresentasse um plano de procedimentos para atender aos dispositivos do documento. A 12ª Vara da Fazenda Pública de São Paulo negou a liminar. A Abinee se pronunciou por meio de nota sobre os dados divulgados e afirmou que os fabricantes estão comprometidos com a atualização dos processos de produção, a fim de diminuir eventuais falhas. A associação argumentou que, enquanto o número de linhas de celulares em operação cresceu 15,5%, em 2009, comparado ao ano anterior, o nível de reclamações relatadas pelo DPDC caiu 24%. Também defendeu que o número de queixas reportado pelo departamento representa 0,05% dos cerca de 56 milhões aparelhos comercializados no período.
VENDA DE PCS NO BRASIL CRESCE 29%
Fonte: Correio Braziliense |
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