Lei de acesso a informações públicas
O chamado "esforço concentrado" dos senadores na semana passada pode ter provocado mais alguns anos de atraso institucional e falta de transparência. Estava pronto para ser votado o projeto de lei de acesso a informações públicas. Na última hora, o texto foi retirado do plenário. O Brasil não faz parte de um grupo de 70 países que já têm uma ampla lei de acesso a documentos públicos. Aqui, certas informações são liberadas de acordo com a liberalidade do governante de turno. Pior. Um dispositivo em vigor permite ao Estado manter certos papéis em segredo indefinidamente. Uma parte do governo Lula se convenceu. O projeto de lei de acesso chegou ao Congresso em 2009. A possibilidade do sigilo eterno continuava presente, mas deputados escoimaram essa anomalia do texto. Neste ano, caberia ao Senado terminar o serviço. O mais desalentador nessa história são os autores dos requerimentos protelatórios: Eduardo Suplicy (PT-SP) e Eduardo Azeredo (PSDB-MG). Um petista e um tucano. Acham necessário, mesmo depois de oito anos de debate, aprofundar a discussão. Resumem à perfeição a cabeça média dos dois partidos que mandam no Brasil. Artigo de Fernando Rodrigues, jornalista, publicado no jornal "Folha de S. Paulo". |
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